sexta-feira, abril 08, 2011

Pai


Pai
Idésio de Oliveira

Meu pai tem uma bicicleta velha e eu gosto,
não dela que eu vou de pé e enauseia-me nas curvas.

O cangote dele eu cheiro disfarçado num medo amigo.
Com meu pai, vou onde o mundo desbarranca,
onde as plantas espiam Deus descansando.

Meu pai tem uma bicicleta e a guia.
Não há brisa mais veloz que ele quando
desce a rua e grita:

“Segura...”

E eu grito com ele e fico brisa
pra levar-lhe bem seguro
a cheirar o cangote de Deus

terça-feira, fevereiro 01, 2011

Tranquilo, calmo e sereno


A poesia me pegou hoje
Ou será que eu a peguei?
Ela passou, eu avistei
Fui lá e fiz
Fiz o que é meu
Fiz eu mesmo
Me refiz em Deus

Chorei por dentro
Como só a gente sabe fazer
Pela consciência, consciência de tudo
Ou quase tudo
Mas de um tanto bom e perfeito

Não quero o tédio
Quero o amor para sempre
Quero a novidade diária de ser novo
E ser sempre eu mesmo
Nos meus amores e nas minhas dores

Não ter medo da hora
Viver cada instante, radiante
Sem remorsos, sem obrigações
A vida não me obrigada a nada
Só me convida

Eu aceito!
Aceito ser feliz
Aceito ser de Deus
Eu aceito ser tranqüilo, calmo e sereno