
Pai
Idésio de Oliveira
Meu pai tem uma bicicleta velha e eu gosto,
não dela que eu vou de pé e enauseia-me nas curvas.
O cangote dele eu cheiro disfarçado num medo amigo.
Com meu pai, vou onde o mundo desbarranca,
onde as plantas espiam Deus descansando.
Meu pai tem uma bicicleta e a guia.
Não há brisa mais veloz que ele quando
desce a rua e grita:
“Segura...”
E eu grito com ele e fico brisa
pra levar-lhe bem seguro
a cheirar o cangote de Deus
