domingo, outubro 26, 2014

Tudo ou nada


Hoje
Vou fazer nada
Vestir calça furada
Andar de meia
Sentir os pés

Chega de seguir ordens das mãos
Quero o corpo todo
Quero a alma também
Minha e de alguém

Vou de vento em polpa
Pra lugares sujos
Sento no chão
E mastigo comida estranha

Cuspo e gosto
Volto e faço de novo
sumo, assumo
Vivo

Hoje
Vou fazer tudo
Lamber os calos
Feitos por Deus
na caminhada
no sonho
puros

Feira da vida


Fui na vida comprar um pouco de mim
Achei luz, fungos e incertezas

É assim mesmo,
Quando a gente pensa que é gente
A gente vira bicho...

Outro dia eu andei como bicho
Sem banho, sem tosa
Alguém me disse que queria rezar como eu

Na feira da vida
Quando não posso é que dou
Quando doou me perco

Me refaço, me amasso
Brigas interiores que me dão beleza
Clareza de fato
Atrás da parede escura
Atrás do medo

Quando eu canto, me encanto
acalmo
Me encontro