quinta-feira, novembro 30, 2006

O cego não mora ao lado...

“Ô meu irmão
Olha pra onde cê anda!
Parece que é cego, uai?”

Disse um cego
Ao encontrar uma pessoa na rua
Que encostou no seu pé

O detalhe é que o cego
Pensou que essa pessoa
Enxergava...

Auto-conhecimento...

Tem pão?
Tem sim
Ah! Tem não
Peraí qu'eu vou dar uma olhada

Pato perdido e sem certeza...

A pata perdeu um filhote
Ele sorriu, livre
Ou melhor
Viu-se livre
Quando cresceu
Virou gente grande
E gente superficial
Que todo dia perguntava
Ver é certeza?

Lesma, choro e paciência...

Estou seco
A vida é escura
O chão me dói
As palavras são duras demais

O olho chora
E se esquece que é janela
O sorriso não lembra
A canção se artificializa

Mas uma coisa me resta
Paradoxalmente admirada
Pela causa da minha tristeza
A minha fé

Ela pequena
Capaz de transformar em flores
Esse meio doloroso
De se chegar ao fim que é a vida

Utopia, viagem e decepções
Tudo se mistura de uma forma sutil
Transforma em lesma forte e corredora
Paciente que nem Deus