terça-feira, março 06, 2007

bem desacostumado...

Me acostumei com o mal
Sinto sua falta
No bem não me sinto bem

Me acostumei com o prazer momentâneo
Instantâneo e estranho

Me acostumei com as quedas
Com a preguiça e com o descaso pelo perfeito

O bem se tornou algo distante
Que não quero com tanto ardor
Não acredito no bem
Prefiro a maldade passageira
E a expectativa sem atitudes

Me acostumei com o bem impossível
E o mal tão próximo

Me acostumei comigo mesmo
Na condição insatisfeita e triste
De simplesmente ignorar o Absoluto...

quinta-feira, março 01, 2007

Paz e mais nada...

Quando tudo
Tão escuro
Obscuro
E entre muros

Jeito forte
Pela morte
Que não dorme
Ou conforme

Com a estrada dura da vida
Com a morada frágil, passageira
Com a cruz de cada dia
E a solidão necessária

Pelo outro
Eu me desmancho em outro
Outro de mim, outro de Ti
Outro de nós
Apenas Deus

Numa sensação de luz
De vazio, de nada
De plenitude e de gratidão

Num convívio torpe
Com o açoite do pecado
Com a maldade da mão
Com a vontade do pé

Estranheza
Esperteza
Tristeza
Fortaleza

Se misturam, se fundem
Se confundem e aparecem

Se maltratam e se suportam

Ah! Isso é o amor
Aquele louco que chora
Que tudo crê e tudo espera
Que não se orgulha
Que se humilha

Que é paz!
Paz

Paz e mais nada...

Paz qu’eu procuro
Tanto sonho
Tanto me calo
E grito por ela

Paz absurdo
Paz inquieta
Paz de angustia
Paz violência

Paradoxo que me sustenta
Me leva a mim mesmo
Me faz meu desejo
Me cobra e não me cobra
Me ama
Me ama, me ama
E me refaz...